Espetáculo está em cartaz no Shopping Guararapes, em Piedade, e reúne circo, humor, música ao vivo, dança, tecnologia e referências às tradições do Nordeste em uma experiência imersiva para toda a família
O Circo do Tirú estreou, em 17 de setembro, o espetáculo ‘Nordestinamente’ na área externa do Shopping Guararapes, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Concebida a partir do universo criativo de Tirullipa, a produção apresenta uma celebração da cultura nordestina que combina humor, música executada ao vivo, dança, tecnologia, performances circenses e uma narrativa inspirada nas tradições, nos costumes e na diversidade cultural da região. A temporada em Pernambuco também marca uma nova fase da companhia, que pretende levar o espetáculo para outras cidades brasileiras.
À frente do projeto estão os sócios Tirullipa e Karine Pissutti, que apostam em uma proposta que vai além do formato tradicional de circo. Sob uma lona especialmente criada para a produção, o público acompanha uma história ambientada no universo nordestino enquanto artistas circenses, cantores, bailarinos, palhaços e músicos dividem o mesmo espaço cênico.
A proposta é transformar o picadeiro em um grande palco de celebração da cultura nordestina. Para isso, ‘Nordestinamente’ reúne mais de 12 toneladas de equipamentos de som, iluminação, painéis de LED e efeitos especiais, além de uma estrutura pensada para ampliar a visão do público e favorecer os grandes números circenses.
Uma experiência inspirada no Nordeste
Tirullipa destaca a emoção de retornar aos palcos com uma produção que amplia a experiência oferecida pelo Circo do Tirú.
“O que já encantava o público retorna ainda maior, mais tecnológico e mais imersivo, convidando cada espectador a viver o Nordeste de uma forma nunca antes apresentada sob uma lona de circo”, afirma o artista.
A produção também tem como proposta despertar sentimentos de pertencimento e valorização da identidade nordestina. Karine Pissutti explica que a ideia surgiu justamente da vontade de transformar elementos da cultura regional em uma experiência capaz de dialogar com públicos de diferentes idades.
“Nordestinamente nasceu do desejo de transformar a riqueza cultural do nosso Nordeste em uma experiência capaz de emocionar pessoas de todas as idades”, afirma Karine.
A trilha sonora reforça essa conexão com a região. O espetáculo apresenta músicas associadas a diferentes momentos da cultura nordestina, com referências a nomes como Luiz Gonzaga, Clara Nunes, Maria Bethânia, Geraldo Azevedo, Elza Soares e Chico César. Também fazem parte da seleção o Cordel do Fogo Encantado e o repente.
As canções são executadas ao vivo por uma banda que acompanha o elenco durante a apresentação. A música se integra às coreografias, aos números circenses, à iluminação e aos conteúdos digitais projetados no espaço.
Lona vira parte da narrativa
Um dos principais elementos visuais da produção é a nova lona do Circo do Tirú. A estrutura abandona os tradicionais mastros centrais de ferro e utiliza um sistema de arco externo, permitindo que o palco seja montado em formato 360 graus.
Na prática, a mudança amplia o campo de visão da plateia e elimina pilares internos que poderiam interferir na experiência do público. A estrutura também proporciona mais liberdade para números aéreos e para a utilização de grandes elementos cenográficos.
Idealizada por Bruno Oliveira, a lona recebeu identidade visual assinada por André Rodrigues. O projeto buscou referências em elementos característicos do Nordeste, como colchas de retalhos, bordados, rendas, cactos e xilogravuras.
O resultado é uma lona temática que também funciona como parte da ambientação do espetáculo. O dourado, o ouro e a representação do sol na cúpula da estrutura aparecem como elementos de destaque na identidade visual.
Bruno Oliveira acumula as funções de direção geral, produção, direção criativa e criação dos figurinos. Segundo ele, um dos principais desafios foi integrar diferentes áreas da produção para construir uma identidade visual coerente.
“Traduzir a riqueza estética do Nordeste por meio dos figurinos, da lona, da cenografia e da identidade visual foi o grande desafio deste projeto”, afirma Bruno. “Cada elemento foi pensado para contar essa história e emocionar o público desde o primeiro olhar”, completa.
Circo, música e tecnologia no mesmo palco
A cenografia foi desenvolvida pela Tribo da Arte, sob direção de Troy Oliver, e acompanha a identidade visual criada para a produção. Ambientes e elementos cenográficos ajudam a transportar a narrativa para diferentes paisagens e manifestações culturais do Nordeste.
No palco, a tecnologia tem papel importante na construção da experiência. Iluminação cênica, painéis de LED, conteúdo digital, sonorização, efeitos especiais, cenografia e figurinos trabalham de maneira integrada.
A estrutura também mantém os números tradicionais do circo. O público poderá acompanhar apresentações de trapézio, roda cyr, lira, percha, malabares e acrobacias aéreas.
A combinação desses elementos procura aproximar o espetáculo de um musical, sem abandonar as características que fazem parte da linguagem circense.
A equipe criativa conta ainda com Tino Zanni na direção artística; Moisés Loureiro no texto original; Rafa Vilar na direção musical; Débora Polistchuck na direção associada e coreografia; Nara Sales na direção dos números circenses; Paulinho Altafim na direção de som; Victor Lucena na direção executiva; Dicko Lorenzo no visagismo; Vlad Freire e Felício Mafra, do Espaço Criativos, no projeto de iluminação; Bruna Junqueira, da Maze, no conteúdo digital; André Rodrigues na identidade visual da nova lona; Juvenal Joaquim no design; e a Tribo da Arte, sob direção de Troy Oliver, na cenografia e nos elementos cenográficos.
História acompanha menina que sonha em ser palhaça
No centro da história está Iracema, uma menina do sertão que tem um sonho considerado grande demais para o lugar onde nasceu: tornar-se palhaça.
Desencorajada e alvo de zombarias, ela encontra apoio em Zé Tocador e Chica Cantadora. Os dois conduzem a menina até Dona Esperanza, uma figura sábia que apresenta a ela uma nova possibilidade.
Iracema parte então em uma jornada pelo Nordeste em busca do misterioso Grande Palhaço, personagem que, segundo a história, teria o poder de realizar seu sonho.
É durante essa travessia que surge Tirú, interpretado como a figura lendária do Grande Palhaço. O personagem funciona como mestre de cerimônias e acompanha Iracema durante sua trajetória, conduzindo os acontecimentos e ajudando a menina a compreender o significado de sua busca.
A jornada também conta com Seu Menino, um homem amargurado que rejeita tudo o que está relacionado ao circo.
A história passa por paisagens, manifestações culturais e festas populares nordestinas até apresentar uma revelação sobre a identidade de Seu Menino. Ele é, na verdade, o proprietário de um circo que nunca chegou à cidade porque foi destruído por um incêndio.
A narrativa também ressignifica a figura do Grande Palhaço. Em vez de ser apenas uma pessoa, o personagem representa um sentimento e uma capacidade de transformar dificuldades em alegria, rir da própria vida e manter viva a esperança.
No decorrer da história, Tirú revela que não é o único Grande Palhaço. Ele teria mantido viva essa tradição para conduzir Iracema até a descoberta de que essa força também existe dentro dela.
Ao reconhecer essa capacidade, a menina encontra sua identidade como palhaça. Paralelamente, Seu Menino recupera a coragem para reconstruir seu circo.
A história termina com uma celebração da fé, da arte e do orgulho de ser nordestino, reforçando a ideia de que sonhos podem nascer e crescer mesmo diante de circunstâncias adversas.
Elenco reúne artistas do circo e da música
A montagem conta com seis nomes no elenco principal. Lua Martins interpreta Iracema, enquanto Aline Campêlo dá vida a Chica Cantadora. Aldrey Rocha interpreta Zé Tocador e Florentina vive Dona Esperanza.
Glauco Lucena interpreta Seu Menino e Ivo Ferreira aparece como o palhaço Zé Ninguém.
A composição do elenco permite que a narrativa seja construída a partir de diferentes linguagens, unindo interpretação, humor, música, dança e performance circense.
A presença de uma banda ao vivo também contribui para a construção de uma atmosfera de espetáculo musical, enquanto os números tradicionais do circo mantêm a conexão com a essência da companhia.
Circo do Tirú entra em nova fase
A chegada de ‘Nordestinamente’ ao Shopping Guararapes acontece em um momento de transformação do Circo do Tirú. A nova estrutura foi planejada para receber diferentes linguagens artísticas e ampliar a experiência do público.
Para Dora Linhares, gerente de marketing do Shopping Guararapes, a chegada do espetáculo está alinhada à estratégia do empreendimento de oferecer novas experiências aos visitantes.
“O Circo do Tirú já encantou milhares de pessoas e se consolidou como um dos principais espetáculos do país. É uma grande satisfação receber essa nova fase do circo que vai de encontro com a nossa estratégia de promover cada vez mais experiências incríveis para o nosso cliente”, afirma.
Dora também relaciona a chegada do espetáculo ao processo de modernização do shopping.
“Iremos fechar o ano de 2026 concluindo várias obras de modernização do empreendimento, e assim como o Circo do Tirú, o Shopping está ainda mais bonito e renovado”, completa.
A temporada em Jaboatão dos Guararapes é de curta duração. Depois da passagem por Pernambuco, a expectativa apresentada pela companhia é que o espetáculo viaje por outras regiões do Brasil.
Serviço
O espetáculo ‘Nordestinamente’, do Circo do Tirú, está em cartaz na área externa do Shopping Guararapes, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes.
As apresentações acontecem às quintas e sextas-feiras, às 19h15. Aos sábados, há sessões às 16h e às 19h15. Aos domingos e feriados, as apresentações são realizadas às 15h e às 18h15.
Os ingressos custam a partir de R$ 40 e estão disponíveis pela plataforma Guichê Web.
A duração do espetáculo é de aproximadamente duas horas, incluindo um intervalo de 15 minutos. A classificação é livre e a capacidade é de 900 lugares com assentos numerados.
A estrutura é 100% acessível, com rampas de acesso e lugares reservados para pessoas com deficiência. Para o público autista ou com hipersensibilidade auditiva, são disponibilizados abafadores de som. O equipamento pode ser solicitado diretamente na bilheteria.
A temporada representa a oportunidade de acompanhar uma produção que utiliza a linguagem do circo para contar uma história de identidade, sonhos e pertencimento, tendo a cultura nordestina como elemento central.







