No último sábado, 2 de maio, o grupo Deu Samba transformou uma rua de Santa Luzia em um verdadeiro palco a céu aberto para a gravação do audiovisual “Deu Samba na Copa – Na Linha do Tempo”. O projeto, que resgata a tradição das ruas pintadas durante a Copa do Mundo, reuniu moradores, artistas e autoridades em uma celebração que misturou música, memória afetiva e a paixão nacional pelo futebol.
A gravação aconteceu na Rua Pedro Ferreira de Souza Martins, no Conjunto Cristina A, onde o verde e amarelo dominaram o cenário. A proposta do projeto foi justamente resgatar uma prática cultural típica dos períodos de Mundial: a pintura das ruas como forma de expressão popular e torcida coletiva. Sob direção de Amós Rodrigues, a produção buscou captar não apenas a performance musical, mas também a essência da convivência comunitária.

Rua vira cenário de celebração popular
Antes mesmo do início oficial das gravações, o clima já era de festa. Crianças da vizinhança jogavam futebol na rua enquanto a equipe técnica organizava o set. Em um momento espontâneo, os integrantes do grupo — Arthur, Binho, André e Fabrício — se juntaram à partida improvisada, criando uma cena que sintetizou a proposta do projeto.
A jogada que terminou em gol marcou também o início da apresentação musical, simbolizando a conexão entre futebol e samba. A transição natural entre os dois universos reforçou a ideia central do audiovisual: duas paixões nacionais que caminham lado a lado na cultura brasileira.
No centro da rua, uma grande mesa foi montada, transformando o espaço em uma típica roda de samba. A ambientação foi complementada por uma churrasqueira em funcionamento, utilizada de fato durante toda a gravação. A proposta documental buscou eliminar qualquer artificialidade, integrando moradores, equipe e artistas em um mesmo ambiente de confraternização.
Repertório percorre títulos mundiais do Brasil
O projeto musical foi estruturado com base em uma curadoria histórica, dividida em blocos que homenageiam os anos em que o Brasil conquistou a Copa do Mundo: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
No bloco de 1958, clássicos como “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, e “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim, abriram a sequência. A viagem musical seguiu com o bicampeonato de 1962, trazendo canções como “Trem das Onze” e “Aquele Abraço”.
O clima festivo ganhou ainda mais força com o bloco de 1970, marcado por músicas como “País Tropical” e “Vou Festejar”. Já o título de 1994 foi representado por sucessos do pagode, como “Beijo Geladinho”, enquanto o penta de 2002 encerrou o espetáculo com hits como “Deixa a Vida Me Levar”, de Zeca Pagodinho, e “Deixa Acontecer”.
Todos os sucessos foram reinterpretados com a identidade sonora do Deu Samba, que mistura samba e pagode com influências contemporâneas.
Presenças ilustres e apoio institucional
A gravação mobilizou a cidade e contou com a presença de autoridades locais, como o prefeito Paulo Bigodinho, que destacou a importância do projeto para o município. “É uma alegria muito grande para a gente. Quando o Deu Samba nos procurou com essa ideia de gravar esse audiovisual aqui em Santa Luzia retratando todos os anos das Copas do Mundo com as músicas da época, a gente abraçou o projeto. Entendemos que é importante para a cidade e estamos juntos nessa”, afirmou.
Também estiveram presentes o vereador Waguinho Andrade e o cantor Clayton, que acompanhou a gravação e celebrou a iniciativa ao lado do grupo.
Resgate da memória e identidade nacional
Um dos idealizadores do projeto, André Barcellos, destacou o cuidado estético e conceitual da produção. “Fizemos questão de trazer de volta aquele clima nostálgico das Copas passadas, com a rua pintada e muito verde e amarelo. Queremos que o público sinta essa energia se preparando para torcer”, explicou.
Já o músico Fabrício ressaltou o papel do engajamento popular como elemento fundamental para o futebol brasileiro. “Essa energia que sentimos aqui na rua, com o povo pintando o chão e se reunindo em torno do samba e do churrasco, é exatamente o que a Seleção Brasileira precisa para buscar o Hexa. É esse movimento popular que traz a força necessária para as grandes conquistas”, afirmou.
Ele ainda destacou o impacto da experiência coletiva durante a gravação. “Estar aqui, vivendo essa confraternização real com a comunidade de Santa Luzia, dá uma alma única ao nosso audiovisual. O Hexa começa na alegria da nossa gente”, completou.
Lançamento previsto para maio
O audiovisual “Deu Samba na Copa – Na Linha do Tempo” tem lançamento previsto para o dia 29 de maio. A expectativa é que o projeto leve para todo o país não apenas a música do grupo, mas também a atmosfera das ruas brasileiras em tempos de Copa do Mundo.
Uma banda que mistura ritmos e gerações
Criado em Belo Horizonte, o Deu Samba é formado por Arthur e Binho nos vocais, com André e Fabrício na base instrumental. O grupo se destaca por sua proposta de misturar diferentes gêneros musicais ao pagode, criando releituras que vão do axé ao sertanejo, passando por funk e piseiro.
A banda se define como uma “playlist viva”, com repertório democrático e sem preconceitos musicais. Essa versatilidade permite que o grupo dialogue com diferentes públicos e mantenha a energia dos shows sempre em alta.
Ao apostar em um projeto que une música, futebol e cultura popular, o Deu Samba reforça sua identidade e amplia sua conexão com o público, transformando uma simples gravação em um evento coletivo e simbólico.













