Artista paulistano prepara álbum de estreia e defende união entre novas bandas para fortalecer o gênero no país
Enquanto muitos afirmam que o rock perdeu espaço na música brasileira, o cantor e compositor Jayme Bonjardine acredita justamente no movimento contrário. O artista paulistano está iniciando oficialmente sua carreira musical com um objetivo ambicioso: contribuir para o fortalecimento do rock autoral no Brasil. Com influências que passam por grandes nomes do rock nacional e internacional, ele prepara o lançamento de seu primeiro álbum ainda este ano e defende que existe um público fiel ao gênero, mas que carece de novas músicas chegando ao grande mercado.
Nascido na década de 1980, Jayme cresceu acompanhando um dos períodos mais marcantes da história do rock brasileiro. Bandas como Legião Urbana, Capital Inicial, Raimundos, O Rappa, Detonautas, além de grupos internacionais como Oasis, Metallica, Nirvana, Guns N’ Roses e Smashing Pumpkins, ajudaram a formar sua identidade musical.
Para o artista, o sucesso das turnês de bandas consagradas demonstra que o interesse pelo rock permanece vivo entre o público.
“Bandas antigas e muito boas, diga-se de passagem, estão tendo grande espaço de retorno na cena atual nacional. Além disso, os shows de bandas estrangeiras que ocorrem no país estão quase sempre lotados, muitas vezes com ingressos sendo vendidos a preços astronômicos. Isso nos revela que existe um grande público interessado em rock no país, porém ouvindo músicas dos anos 80, 90 e 2000 repetidamente.”
Segundo ele, o principal desafio está na falta de espaço para artistas autorais.
“Existe muito rock bom que não está sendo divulgado. Precisamos unir novamente as peças desse jogo e reacender a chama do rock no país, fortalecendo a cena do rock mundial.”

Uma carreira construída entre o Direito e a música
Apesar de estar estreando oficialmente no mercado musical, Jayme Bonjardine possui uma trajetória consolidada em outra área. Mestre em Direito, ele atua há mais de duas décadas no meio jurídico e atualmente trabalha na área de Relações Públicas.
Segundo o artista, a escolha por iniciar agora sua carreira musical não foi impulsiva, mas resultado de uma decisão amadurecida ao longo dos anos.
“Desde pequeno eu tenho duas paixões na vida: a Justiça e a Música. Para realizar a justiça, o Direito foi o caminho que escolhi profissionalmente. Mas eu não posso deixar esse planeta sem viver intensamente a minha outra paixão.”
Jayme revela que já participou de bandas anteriormente, mas acredita que a maturidade adquirida ao longo da vida fez toda a diferença para encarar esse novo momento.
“Hoje eu entendo os motivos pelos quais aqueles projetos não deram certo. Estou mais maduro e já na metade da minha vida. Não tenho mais tempo para apenas sonhar. É hora de realizar.”
Ele resume essa filosofia em uma frase que considera um lema pessoal.
“A distância entre sonhos e realidade se chama ação.”
Rock como estilo de vida
Mais do que um gênero musical, Jayme define o rock como uma forma de enxergar o mundo.
Para ele, o estilo representa questionamento, liberdade e transformação social.
“O rock não é só um estilo musical. Antes disso, o rock é um estilo de vida. Mais do que o som, o rock é uma atitude que desafia aquilo que nos é posto como verdade absoluta e busca quebrar falsos paradigmas.”
Segundo o cantor, essa essência faz do rock uma ferramenta de reflexão.
“Não é sobre quebrar a ordem, mas compreender essa ordem e expor aquilo que precisa ser transformado.”
Na avaliação do artista, houve um enfraquecimento da divulgação dos novos nomes do gênero nos últimos anos, o que acabou reduzindo a renovação da cena nacional.
“Hoje você escuta muito rock, mas na maioria das vezes são as mesmas músicas e as mesmas bandas. É hora de juntar as novas e velhas peças desse jogo para voltarmos ao tabuleiro de forma consistente.”
Influências e identidade musical
Questionado sobre qual estilo pretende apresentar ao público, Jayme evita rótulos muito específicos.
Ele afirma que gosta de explorar diferentes vertentes dentro do rock e do pop, valorizando a diversidade como uma das maiores riquezas da música.
“Cada ser é diferente e especial de alguma forma. A diversidade é uma das coisas mais bonitas do mundo.”
Mesmo transitando entre diferentes sonoridades, ele acredita que sua identidade pode ser definida como Rock-Pop.
“Tenho composições que passeiam por estilos diferentes, mas, de maneira geral, me considero um artista de Rock-Pop.”

Família como prioridade
Pai de três filhos, Jayme fala com entusiasmo sobre sua vida familiar.
Ele é pai de Isabelle, de 11 anos, Noah, de 8, e Alan, de 4 anos, além de considerar a sobrinha, de 24 anos, como uma filha.
Segundo ele, a família ocupa lugar central em sua vida.
“A família é um presente de Deus.”
Mesmo conciliando a carreira jurídica, os projetos musicais e a rotina familiar, ele afirma que consegue administrar todas as responsabilidades porque trabalha com aquilo que ama.
Jayme também compartilha a ordem de prioridades que procura seguir diariamente.
Primeiro vem sua saúde e seu desenvolvimento pessoal. Em seguida, a família. Depois, o trabalho, que considera essencial para contribuir com a sociedade.
Inspirado por uma conhecida frase atribuída a Confúcio, ele acredita que trabalhar com paixão transforma completamente a relação com a profissão.
Uma das expressões que mais costuma repetir resume sua forma de enxergar a vida.
“A vida é uma festa.”
Espiritualidade sem religião
Outro tema abordado durante a entrevista foi sua relação com Deus.
Jayme conta que foi ateu até aproximadamente os 20 anos de idade, mas que experiências pessoais mudaram completamente sua forma de compreender a espiritualidade.
“Com as experiências da vida fui percebendo que existe muito mais no universo do que os nossos cinco sentidos conseguem captar.”
Hoje, ele afirma manter uma relação direta com Deus, sem seguir uma religião específica.
“Não sigo uma religião para me conectar com Deus. Nossa conexão é direta.”
Apesar disso, faz questão de destacar o respeito por todas as crenças.
“Admiro todas as religiões. Sempre que posso, gosto de conhecer diferentes formas de espiritualidade. Creio em um Deus universal, que une todas as pessoas.”
Para ele, o mais importante é a busca pelo bem comum e pela evolução pessoal.
“Nunca como uma competição, mas como uma cooperação universal.”
Álbum de estreia já está pronto
Os próximos meses prometem marcar uma nova etapa na trajetória do artista.
Jayme confirma que seu primeiro álbum já está gravado e passa pelos últimos ajustes antes do lançamento.
Além do disco, ele também planeja investir na produção de videoclipes.
Enquanto o lançamento não acontece, o cantor utiliza as redes sociais para divulgar interpretações de músicas conhecidas gravadas em cenários naturais.
Ao final da entrevista, fez questão de agradecer toda a equipe envolvida no projeto e o público que acompanha esse início de caminhada.
“Espero poder retribuir todo o carinho com muita música boa. Vamos juntos!”
Com um discurso otimista, experiência de vida e disposição para apostar no rock autoral, Jayme Bonjardine inicia sua trajetória artística acreditando que ainda existe espaço para novas bandas conquistarem o público brasileiro e ajudarem a escrever um novo capítulo na história do gênero.










